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Cuide do seu Fígado
Ele sofre silencioso, aguenta as conseqüências dos exageros da gula e do álcool e quando dá algum sinal é o aviso para cuidar da saúde e repensar o estilo de vida. Estamos falando do fígado, o principal e maior órgão interno que, entre suas muitas funções, é responsável por processar os alimentos após sua absorção no intestino, por regular o metabolismo dos carboidratos, proteínas e gorduras que ingerimos, pela síntese e metabolismo do colesterol e alguns hormônios, além da metabolização dos medicamentos e depuração de produtos tóxicos aos quais o organismo está freqüentemente exposto. "Por ser um órgão vital para o ser humano, a manutenção de um bom funcionamento das funções hepáticas é fundamental para uma vida saudável", enfatiza o médico hepatologista Elson Vidal Martins Junior, diretor da Casa da Hepatite da Universidade Metropolitana de Santos.
Além das hepatites virais, outros graves problemas podem atingir o fígado como as hepatites alcoólicas e medicamentosas, esteatose hepática, doenças genéticas (como hemocromatose, caracterizada por excesso de ferro, e Doença de Wilson, excesso de cobre) e auto-imunes. E o pior é que geralmente as doenças evoluem sem apresentar nenhum sintoma. "Icterícia, o popular amarelão, e sintoma de lesão aguda ocorrem em fases mais avançadas em conjunto com a ascite (barriga d'água) e predisposição a hemorragias. O ideal é fazer periodicamente uma avaliação laboratorial e sorológica para pessoas com fatores de risco ou expostas", recomenda o médico Elson Vidal.
Segundo estimativas da OMS, em média de 2% a 3% das pessoas têm algum dos seis tipos existentes de hepatites (A, B, C, D, E e G). A do tipo C, para a qual ainda não há vacina, é considerada hoje um problema de saúde pública no mundo. A estimativa da Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta para cerca de 200 milhões de pessoas infectadas com o vírus da hepatite C (no Brasil, calcula-se três milhões) e 300 milhões de portadores de hepatite B crônica. Boa parte desconhece ser portador do vírus, já que a doença evolui silenciosamente.
Alguns sinais e sintomas podem indicar a ocorrência de lesão hepática: icterícia (coloração amarelada da pele e olhos); urina escura e fezes esbranquiçadas; dor e inchaço abdominais; hematomas cutâneos e sangramento digestivo; fadiga crônica, náusea e perda de apetite. Elson Vidal lembra que a prevenção é o mais importante e a pessoa deve solicitar ao médico a inclusão dos testes de função hepática e sorologias para hepatite durante os exames de rotina.
Evite consumo desnecessário de medicamentos e não misture remédios sem escutar o médico; evite consumo de drogas (além da dependência química e psicológica, drogas como cocaína, ecstasy e solventes são tóxicos para o fígado); evite consumo abusivo de bebidas alcoólicas; não misture medicamentos com álcool; evite se expor e inalar solventes; utilize máscaras em caso de exposição prolongada a inseticidas, tintas e combustíveis e luvas para manipular esses produtos, que podem ser absorvidos pela pele; utilize preservativos nas relações sexuais; não compartilhe material de manicure e de barbear; adote uma alimentação saudável e balanceada, evitando gorduras e alimentos ricos em colesterol e ingerindo doces com moderação. Certifique-se da procedência de alimentos como ostras e mariscos, que podem ser contaminados com o vírus da hepatite A.
Em caso de diabetes, é importante manter a glicemia dentro dos parâmetros recomendados pelo seu médico. A manutenção do peso é fundamental, já que a obesidade é uma das principais causas de dano hepático. Faça atividade física regular e, se estiver fazendo dieta para emagrecer, assegure-se da ingestão de vitaminas e sais minerais de que seu organismo necessita.
A hepatite B pode ser prevenida através de vacinação. Já para o tipo C, transmitida principalmente através de sangue contaminado, não há vacina e o melhor é evitar procedimentos de risco (tatuagem, piercing, uso comum de aparelhos de manicure, barbear, seringas). O vírus da hepatite C sobrevive no meio ambiente por até 72 horas e, o do tipo B, por uma semana.
O médico Elson Vidal explica que os tratamentos para as doenças hepáticas são muito eficazes atualmente, especialmente para as hepatites virais B e C. "Outras doenças hepáticas também têm tratamento, mas é importante tratar cada caso individualmente. Além disso, temos o transplante hepático com ótimos resultados".
Jornal da Orla
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