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Hepatites, teste e trate!
O diagnóstico precoce é a melhor arma contra as hepatites B e C, doenças de caráter epidêmico que se espalham de forma silenciosa e assustadora na população e podem evoluir para cirrose ou câncer de fígado. O teste é gratuito e ter a iniciativa de faze-lo é a grande atitude em defesa da vida, pois, apesar da gravidade das doenças, as chances de cura são altas para quem segue o tratamento corretamente. No caso da hepatite C, que é o tipo mais preocupante, pode chegar a 90%, dependendo do organismo do receptor. "Testar, tratar, salvar a vida impedir a evolução da cadeia de transmissão é a grande atitude", enfatiza o médico infectologista Ricardo Hayden, supervisor da Casa da Hepatite, mantida pela Universidade Metropolitana (Unimes). Em um ano de funcionamento, completado no início deste mês, a Casa da Hepatite já recebeu mais de 2 mil pacientes, a maioria com hepatite C, e prestou mais de 4 mil atendimentos, fora o serviço de enfermagem. Agora, a instituição deu um novo e importante passo para o seu aperfeiçoamento ao firmar convênio de cooperação técnica com o Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo, um dos mais renomados do país. O Albert Einstein já vem prestando assistência à instituição, tendo realizado quatro transplantes de fígado encaminhados pela Casa da Hepatite no último ano e fornecido médicos para reforçar a sua equipe, formada por professores da Unimes. Além de assistência médica e multidisciplinar aos portadores de hepatites virais e doenças hepáticas, a Casa da Hepatite funciona como campo de ensino e pesquisa e investe na atualização médica sobre a doença, com programas de reciclagem de conhecimentos. "Estamos pleiteando que a Casa se torne referência municipal e passe a atender pelo SUS via município", esclarece Hayden.
Números epidêmicos
Pelas estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS), em todo mundo são 300 milhões de pessoas convivendo com o vírus da hepatite B, 250 milhões com o vírus da hepatite C e 50 milhões com o vírus da AIDS. No caso das hepatites, a evolução lenta e silenciosa é um agravante, pois cerca de 80% dos portadores desconhece essa condição. E pior: o vírus, dependendo das condições, pode se manter vivo fora do organismo até três dias.
Estima-se em 5 a 6 milhões de infectados por hepatites B ou C no Brasil. Como a doença não apresenta sintomas, a maioria não sabe que tem o vírus.
Uma vez detectados os portadores, com os tratamentos disponíveis atualmente, pelo menos 600 mil vidas seriam salvas de evoluir para a falência hepática e, consequentemente, a morte.
De acordo com o Ministério da Saúde, um em cada três infectados pelo vírus da Aids está em tratamento, contra um em cada 350 infectados pelo vírus da hepatite C e um em cada 1.000 infectados pela hepatite B.
Em 2008, a World Hepatitis Alliance (WHA), que reúne ongs, especialistas e sociedades médicas de vários países, lançou uma campanha mundial sob o lema "Sou o número 12", mote escolhido porque, segundo os organizadores, em todo o mundo uma em cada 12 pessoas convive com hepatite B ou C.
Quanto antes, melhor
"Quanto antes iniciar o tratamento, menor a lesão no fígado e melhor a resposta ao tratamento. Infelizmente, muita gente tem medo de fazer o teste, desconhecendo que quanto mais cedo descobrir, maior a chance de tratar e obter a cura. Tem também o preconceito que cerca doenças como as hepatites, tuberculose, hanseníase, Aids", lamenta Ricardo Hayden. Mesmo estando a doença em estágio muito avançado, é possível instituir tratamento convencional que leve à cura ou, pelo menos, melhore as condições do paciente. Como última possibilidade, em casos de cirrose avançada ou câncer hepático, é indicado transplante de fígado. A resposta ao tratamento depende da idade, subtipo do vírus e outros condicionantes. "Seguimos uma série de procedimentos para estudar cada caso e definir o tratamento. As chances de cura podem chegar a 90% e há indivíduos que respondem já nas primeiras quatro semanas". Ricardo Hayden explica que a situação da hepatite C está generalizada, alcançando todos os grupos sociais. "Está havendo uma demanda espontânea por testes, o que é positivo. Dependendo do organismo, o vírus leva maior ou menor tempo para evoluir, mas ele não fica adormecido, vai se multiplicando. A percepção é feita através de exame de sangue e o grau de comprometimento do fígado avaliado por biópsia". Tanto o tipo B como o C têm subtipos; na agressividade se assemelham, mas mudam de acordo com o receptor. "No caso da hepatite C, os subtipos 1 e 4 são mais resistentes, o tratamento inicial é de um ano, com 70% a 80% de cura em média. Já os subtipos 2 e 3 respondem melhor ao tratamento, que leva de 4 a 6 meses e alcançam 90% de êxito. O tratamento padrão para pacientes com hepatite crônica é a combinação de dois medicamentos, o Interferon convencional ou Interferon Peguilado mais a Ribavirina,ambos fornecidos pelo SUS.
Hepatite B
A relação sexual é a principal via de transmissão e a boa notícia é que há vacina contra a doença. No Brasil, ela é gratuita nas unidades públicas de saúde para quem tem até 21 anos incompletos. Uma informação interessante é que 90% das pessoas conseguem eliminar o vírus, sem saber sequer que o portam. Outros 10% evoluem para a forma crônica, que no caso é tão perigosa quanto ao tipo C. O vírus da hepatite B é transmitido quando o sangue ou fluidos orgânicos contaminados por ele penetram na corrente sangüínea de um indivíduo sadio. Além do sangue, o vírus pode ser encontrado na saliva, no sêmen, na secreção vaginal, no fluxo menstrual e no leite materno.
Hepatite C
A hepatite C começou a ser diagnosticada somente na década de 90 e, ainda hoje, muitas pessoas possuem o vírus sem saber. Uma vez presente no organismo, ele pode se manifestar duas décadas ou mais após o contato. Não há vacina. A principal via de transmissão é o contato com sangue contaminado e objetos que o contêm. As principais formas de transmissão são através de seringas e outros objetos compartilhados por usuários de drogas, objetos de salões de beleza (como alicates de unha e lâmina de barbear; a recomendação é levá-los de casa), consultórios dentários, estúdios de tatuagem e piercings e procedimentos médicos não descartáveis ou não esterilizados de forma adequada, além de transfusões de sangue realizadas antes de 1993 no Brasil. Para se ter uma idéia do perigo, o vírus é tão resistente ao meio ambiente que pode permanecer ativo dentro da tinta de tatuagem até 3 dias. Ou seja, a agulha pode estar esterilizada, mas a tinta não.
Serviço:
Casa da Hepatite - Rua Goiás, 27 - Boqueirão, Santos. Tel 3324-9543. 2ª a 6ª feira 8:00 às 17:00h.
Jornal da Orla
15/03/2009
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