Deputado propõe campanha para diagnóstico da hepatite
O deputado Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) vai a propor a realização de uma campanha estadual para o diagnóstico da hepatite, por meio de testes. Hoje, apenas 15% dos infectados sabem que são portadores do vírus. A grande maioria ignora a existência da doença, que, em apenas 30% dos casos, apresenta sintomas visíveis, como icterícia (pele amarelada).
A popularização do teste para identificação da hepatite foi defendida pelo parlamentar em visita, no último dia 8, à Casa da Hepatite de Santos. A instituição funciona em parceria com Universidade Metropolitana de Santos (Unimes), mantendo convênio com o Departamento Regional de Saúde (DRS-IV).
A hepatite é o nome genérico de qualquer inflamação no fígado. Vários fatores podem detonar esse distúrbio, como vírus, bactérias, medicamentos, álcool e até uma reação do próprio organismo. A maior parte dos casos é causada por vírus (principalmente os dos tipos A, B e C).
Pela proposta do deputado, o teste seria disponibilizado nos locais onde são realizadas as campanhas nacionais de vacinação. A idéia é envolver as secretarias municipais de saúde e as instituições que são referência no tratamento da doença, como a Casa da Hepatite.
"O valor que seria gasto no teste seria bem menor comparado com as despesas para o tratamento, que exige drogas de alto custo. Nos casos mais críticos, o transplante de fígado é a única opção, submetendo o paciente a uma demorada fila de espera", justifica o deputado.
Para o infectologista Ricardo Leite Hayden, coordenador da Casa da Hepatite, professor titular de Microbiologia e Professor Assistente de Infectologia da Unimes, o teste poderá ajudará a identificar a doença no seu estágio inicial, aumentando as chances de cura.
"O diagnóstico tardio prejudica o quadro clínico do paciente, além de aumentar os riscos de contágio e os custos do tratamento. Sem falar dos impactos sociais, que incluem os afastamentos de trabalho provocados pelo agravamento da doença".
DEMANDA - Em apenas nove meses de funcionamento, cerca de 1.200 pessoas já passaram pela instituição, onde são desenvolvidas pesquisas clínicas regulamentadas por um Comitê de Ética e Pesquisa.
A unidade também mantém parceria com o Hospital Israelita Albert Einstein de São Paulo, que a cada 15 dias destina médicos para acompanhamento do trabalho. Os profissionais do Einstein fazem ainda avaliação dos pacientes com o quadro mais grave.
"Só existem duas instituições que realizam esse trabalho: a Escola Paulista de Medicina e a Casa da Hepatite. Qualquer pessoa que nos procurar será atendida gratuitamente. Oferecemos um tratamento de excelência na assistência médica," destaca o diretor da Casa da Hepatite, Élson Vidal Martins Junior.
No mundo, os números da hepatite são preocupantes. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), as dos tipos B e C matam 1,5 milhão de pessoas por ano. Só no Brasil há mais de 6 milhões de infectados. Em Santos, apesar da existência da notificação compulsória desde os anos 90, estima-se que boa parte dos infectados não é computada na estatística oficial.
Dados do Ministério da Saúde revelam que um em cada três infectados pelo vírus da Aids está em tratamento. Com a hepatite, a proporção é mais alarmante: um em cada 350 infectados pelo vírus da hepatite C e um em cada 1.000 infectados pela hepatite B.
A Casa da Hepatite está localizada na Rua Goiás, 27, Bairro do Boqueirão em Santos. Informações pelo telefone: (13) 3324-9543.
Fonte: Assessoria PAB
08/12/2008


 
     
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