Hepatites Virais: atendimento à la carte
As hepatites virais atualmente representam grave problema de saúde pública. A hepatite crônica pelo vírus B acomete cerca de 300 milhões de indivíduos e a hepatite C crônica ocorre em 200 milhões de pessoas globalmente segundo a Organização Mundial de Saúde. Tais enfermidades são transmitidas através de contato sexual (principalmente a hepatite B) e através do sangue contaminado (principalmente a hepatite C) e podem evoluir para hepatite crônica, cirrose hepática, insuficiência hepática e câncer de fígado. A insuficiência hepática decorrente de hepatite C crônica é a principal indicação atual de transplante de fígado em nosso meio e a hepatite B é a principal causa de câncer de fígado no mundo.
A boa notícia é que a hepatite B é passível de prevenção através de vacina altamente eficaz. Para hepatite C ainda, não dispomos de vacina sendo importante evitar-se contato com materiais não esterilizados adequadamente que possam veicular sangue. O importante nestas doenças é sermos pró-ativos e realizarmos a detecção através de testes sorológicos.
O teste para hepatite C deve ser realizados em pessoas que receberam transfusão sanguínea ou transplantados antes de 1993, pessoas que fizeram uso de drogas inaláveis ou injetáveis, pacientes em hemodiálise, hemofílicos, filhos de gestante portadoras do vírus C, portadores de doenças hepáticas ou alterações laboratoriais hepáticas.
Os tratamentos destas enfermidades têm evoluído bastante e podemos atualmente, curar boa parte dos pacientes (50-85% dos pacientes com hepatite C com o tratamento padrão atual composto de peginterferon e ribavirina) além de impedir a progressão da doença hepática. Em recente participação em Meeting sobre Atualização em Hepatites Virais e Doenças Hepáticas realizado na Universidade de Paris , observamos novos métodos não-invasivos de avaliação de doenças hepáticas como o Fibroscan e o Fibrotest que permitem avaliar a presença de cirrose sem a realização de biópsia hepática, novos fármacos e a abordagem atual para o tratamento da hepatite B, a otimização e individualização do tratamento da hepatite C crônica, o tratamento de pacientes co-infectados com o HIV e os ensaios com os novos medicamentos como os inibidores da protease e da polimerase que serão futuramente incorporados ao tratamento da hepatite C, aumentando as taxas de cura destas enfermidades. Os próximos anos serão promissores no combate às hepatites virais, porém devemos procurar a prevenção e a detecção de pessoas infectadas desde agora.
Dr. Elson Vidal Martins Júnior, hepatologista.
Dr. Ricardo Leite Hayden, infectologista.
Médicos da Casa da Hepatite da Universidade Metropolitana de Santos.